ausente de mim
>> domingo, 11 de outubro de 2009
Em breve a memória estará vazia de planos e no vazio talvez respire estes novos passos ausentes de nada...
No Silêncio dos uivos da noite, sinto a solidão no mar de gente que me rodeia...
Nos escassos rasgos de alegria, liberto a tensão que me assombra...
Desconfio das almas que se me aproximam! sem crenças nem destino vou seguindo as curtas passadas no ritmo do sinuoso tempo que surge...
Desaprendo a cada tropeçar de um vislumbre desfeito no mundo real...
Dou tempo para que o tempo me ajude a levantar dos ilusórios sonhos egoístas...
Sem me encontrar em lugar algum, aclara-se a vontade de desistir... de mim!
Luto dia após dia contra um eu exigente, longe da compreensão de quem me faz falta!!!
Na dor me escondo, na angustia devolvo ao mar as lágrimas salgadas, numa esperança de que me sinta, de que me acalme, de que faça de mim sua dependência... São pequenas gotas num mar de imensidão, misturam-se num nada...
Num resto de coragem, ergo-me e aprendo de novo a andar...

"É escura a noite... e nem o barulho dos carros que atravessam a estrada faz com que se quebre o incomodativo silêncio que se faz sentir aqui... sem ti... olho à distância os pequenos pontos de luz perdidos entre prédios e algumas nuvens que se sustêm misteriosamente... és um deles? Brilhas ao longe para mim? A lua não fala... não aparece... onde estás? porque sinto tanto a tua ausência? Detesto! Nunca ouvi tanto o silêncio! Não gosto do som que daí me ressoa nos ouvidos... não me chega ouvir ouvir o teu som... preciso de te ver fazer esses sons, sentir o teu corpo a articular as palavras... preciso de te ter aqui... será que sabes?...prefiro não saber a resposta... a que é que me agarro se a ouvir?..."
Sento-me na noite, ao abrigo do luar...
O conforto do céu estrelado, deixa que o vento bata e leve com ele os assombros dos dias...
Os dias em que o Sol ao brilhar, não ilumina, cega a verdade em que te escondes...
Sozinha, sento-me sob o luar, na noite escura que reflecte a luz real!
A luz que impede as falhas da cegueira...
A luz que se faz sentir por dentro, onde me guardo e protejo!
Fecho-me em mim, segura e secreta...
Fecho-me onde guardo os meus sonhos...
Retiro-os a cada noite, apenas para poder sonhar e devolvo-os no primeiro raio de Sol ao seu lugar... Dentro de mim!
"Rego aos poucos a dor que me mata a esperança... Com raízes frágeis, agarro-me na terra a que pertenço, e espero numa espera que talvez nunca virá..."
"Num deserto sem água, numa noite sem lua, numa terra nua, por maior que
seja o desespero, nenhuma ausência é mais profunda que a tua!"
Nos pés que me levam, ando num tempo diferente…
Não o tempo dos minutos, mas o tempo dos sentidos!
Caminho neste meu tempo, um tempo que me faz sentir…
Um tempo que liberta cinzentos…
Nos pés que me levam, sinto o Sol a iluminar a pele, sinto um vento fresco que se solta nos cabelos….
Neste tempo que é meu, anseio o sabor do encontro que me devolve aquele sorriso que só tu conheces como teu…
Nos pés que me comandam, caminho na verdade que me representa…
É este brilho que detém o meu olhar, o escudo que me protege de tantos outros olhares cinzentos e sombrios.
Neste meu tempo, sim, porque este é o meu tempo, o tempo dos sentimentos, que eu acredito no que sou: Sou Eu!
Nos pés que me levam, confio as minhas vontades, as minhas causas, e o meu tempo, o tempo dos sentimentos…
O meu amor alimenta-se do nosso amor...
O teu amor é nosso...
Cresce numa constante, sinto nem o caber no peito...
É tempestade e bonança...
Explode num simples olhar, tem som, cheiro e sabor!
O meu amor renasce a cada acordar, e nasce com ainda mais força,
mais justo e seguro...
É sonho, é vida, é realidade
é a minha existência em pleno do que sou…
É a minha coragem maior…
É a minha força bruta que adoça o teu ser…
És tu... é o que sinto... é o que tenho...
Amar, amor, amar-te... é tão vago para expressar o que sinto
Olha-me,
Sente-me,
e um dia no tempo, saberás encontrar as letras que compõem a música do que sinto por ti…
Saudade sinto, tanta tanta... Que quero permanecer em ti, para sempre....
Dói a saudade, o medo... Mas na esperança encontro-te num abraço
Embora tenha conhecimento da realidade, recuso-me a aceitar.
Não sei se esta recusa é devida a um gostar, a uma saudade, ou simplesmente porque a entendo injusta…
Quero fechar a porta à chave, deitar a chave no mar profundo, impossibilitando a probabilidade de a voltar a abrir.
Quero profundamente iniciar um novo ciclo que teimei em adiar de dia para dia, e pergunto-me porquê?
Não possuo respostas, o meu encanto esmorece, a minha luz apaga-se…
Percebo que não existem motivos para o fim, simplesmente porque acabou.
Assim sendo, fecho a porta, rodo a chave, não a deito no mar… Fecho os olhos, abro a janela e atiro-a, deixo-a cair no infinito, de uma forma segura para que nunca a possa encontrar…
O tempo encarregar-se-á de permitir que se abram novas portas, para que quem nelas queira entrar.