mar cinzento
>> segunda-feira, 25 de julho de 2011
A lua carregada de tormentos, vive camuflada pelas nuvens escuras... Sem ela, a espuma branca não se reflete.
O mar torna-se invisível e o vento leva o seu murmúrio...

No grito que solta, ecoa o som preso de uma liberdade que não detém... Frágil como presa do vento torna-se forte nas muralhas que contém. Dentro delas constrói a segurança de um escudo... Um escudo onde se prende, um escudo que rouba... Protege-se enroscado onde pode ser, sentir e sonhar... O vento bate sem entrar!
Certas incertezas sem rumo
Esmagam o sentido da verdade
Como numa corda bamba, em constante desequilíbrio...
A vontade assombrada de cair nas desistentes tentativas de segurar a vida...
Labirintos confusos das emoções esbarradas pela razão de sentidos obrigatórios para destinos não desenhados.
Já nem os sonhos conseguem segurar o pêndulo da felicidade!
Já nem o vento sopra com sabor no brilho do Sol... projecta sombras despidas, formadas de vazios absolutos.
Sem perguntas com resposta, a direcção é seguida sem vontade, na obrigação imposta pelo sentido.
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Navega num sonho de medos reais.
Frágil, leve e lento, sabe que é certo o naufrágio...
Rendido pelo feroz sentimento, espreita o vento que sopra cinzento nas altas ondas do mar...
Mas ele queria experimentar o sabor das águas, o doce leito das ondas tempestuosas.
Num medo corajoso, o pequeno barco de papel, entrega-se a um mar que sente como seu, um mar onde permanece num escasso tempo mortal...
Consumido lentamente na água que prova, torna-se mar...
Ser navegado ao navegar...
Agora sem medos, viaja em si onde pertence e permanece... Conhece todas as margens, todos os céus, onde no medo acordou a coragem
Na queda percebi que me preenchia o vazio...
Ainda dormente, no chão da vida, a sensação do nada estilhaçava na minha cabeça.
Queria ter sem saber o quê, apenas ter, desejava sentir mais que um nada... e nada!
A certeza da existência do vazio foi o alarme do despertador que acordou os sorrisos, as lágrimas, a mágoa, a sede de encontrar...
E quando no vazio o nada se esperava, uma lágrima caiu no olhar que se cruzou envolvido na magia de um abraço perfeito... E aquele misterioso segundo fez o sentido de uma vida inteira!
Não quero nada que não sejas tu.
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No Silêncio dos uivos da noite, sinto a solidão no mar de gente que me rodeia...
Nos escassos rasgos de alegria, liberto a tensão que me assombra...
Desconfio das almas que se me aproximam! sem crenças nem destino vou seguindo as curtas passadas no ritmo do sinuoso tempo que surge...
Desaprendo a cada tropeçar de um vislumbre desfeito no mundo real...
Dou tempo para que o tempo me ajude a levantar dos ilusórios sonhos egoístas...
Sem me encontrar em lugar algum, aclara-se a vontade de desistir... de mim!
Luto dia após dia contra um eu exigente, longe da compreensão de quem me faz falta!!!
Na dor me escondo, na angustia devolvo ao mar as lágrimas salgadas, numa esperança de que me sinta, de que me acalme, de que faça de mim sua dependência... São pequenas gotas num mar de imensidão, misturam-se num nada...
Num resto de coragem, ergo-me e aprendo de novo a andar...

"É escura a noite... e nem o barulho dos carros que atravessam a estrada faz com que se quebre o incomodativo silêncio que se faz sentir aqui... sem ti... olho à distância os pequenos pontos de luz perdidos entre prédios e algumas nuvens que se sustêm misteriosamente... és um deles? Brilhas ao longe para mim? A lua não fala... não aparece... onde estás? porque sinto tanto a tua ausência? Detesto! Nunca ouvi tanto o silêncio! Não gosto do som que daí me ressoa nos ouvidos... não me chega ouvir ouvir o teu som... preciso de te ver fazer esses sons, sentir o teu corpo a articular as palavras... preciso de te ter aqui... será que sabes?...prefiro não saber a resposta... a que é que me agarro se a ouvir?..."